sábado, 9 de maio de 2009

Dificuldades e aprendizados

No texto anterior falei sobre as diferenças.Em contraposição, poderia agora escrever sobre as semelhanças.Entretanto, creio que esse tópico é mais importante, pois o anterior está contido neste.Deixemos de divagações.
Não é fácil morar só.Principalmente quando se passou a vida inteira morando e tendo tudo dos seus pais, da simples apoio psicológico a dependência financeira.Agora você precisa administrar seu dinheiro,cuidar da sua casa, cozinhar, resolver seus problemas, lembrar de tudo que precisa fazer e comprar no mês, e tudo por conta própria.Se alguma coisa der errado?Te vira,resolve de algum jeito ou encara as consequências.O difícil não é entender, é aceitar.
Mas apesar de no inicio todo aquele processo de adaptação ser realmente duro, você aprende com o tempo que só assim que se consegue amadurecer e evoluir como um todo.Aqui você precisa tomar decisões, sejam elas certas ou erradas.Algumas vezes conseguimos tomar decisões certas, mas na maioria das vezes fazemos besteira.Mas ai você vê que no dia seguinte, aquele erro te serviu pra que aprenda quais os passos que devemos evitar.
Ah, claro, não podia passar desse tópico sem comentar umas das dificuldades centrais que estou tendo por aqui:o idioma.Hoje, me arrependo de ter estudado tão pouco e não ter me empenhado o suficiente nesse pouco tempo.Mas agora, depois de quase um mês e meio, vejo que já evolui bastante, já melhou muito meu nível de compreensão, já consigo me comunicar, apesar da visível dificuldade.Estou aprendendo a perder a vergonha de errar também, e como disse, é um processo natural do aprendizado e talvez seja a única forma de conseguirmos aprender de forma duradoura.

Isso tudo tem me feito crescer,numa velocidade que eu mesmo não esperava.Hoje, eu já não acho que voltarei diferente, eu já mudei muito, e acredito que para melhor.Mas sempre há os dois lados, novos desafios aparecerão, com muitas grandes dificuldades, não tenho a menor dúvida.São apenas novos acontecimentos que se sucedem, se trarão coisas boas ou ruins dependerá da forma como irei encará-los e o quanto estarei disposto em extrair deles.
Por agora é só...Aguardem, em algum momento terá mais !

domingo, 26 de abril de 2009

Diferenças

Diferenças.Não poderia iniciar com uma melhor palavra.Palavra que , por sinal, aprendi em alemão não fazem muitos dias,e justamente, deveria ser a primeira palavra nova que deveria ter aprendido.
Tudo aqui é muito diferente.Da simples forma como alguém se dirige a você até os aspectos mais particulares da cultura.Não há como não perceber, de tal modo que às vezes,tamanha diferença me faz sentir em outro planeta.
No início, o novo deslumbra.Com o passar dos dias, percebemos que nem tudo é maravilhoso e que muitas dessas diferenças não são fáceis de se entender, e até mesmo de se aceita.Por mais que você não seja um apaixonado por seu país, não há como se fugir do fato de toda tua base cultural ter sido fundamentada na cultura da região em que você nasceu.Não há como fugir disso, já esta fundamentado até mesmo em seus gestos.
O convívio com outros brasileiros me fez também perceber que nos enganamos achando que temos grandes diferenças.Sim, alguns falam "" outros "arrê egua", "macho","meu", "vice", "ôxe", "piá" , "meu rei" "guri",mas apesar de tantas diferenças, as semelhanças superam infinitamente.Perdemos muito tempo nos sentindo gaúchos,paulistas,cariocas, ou nordestinos.Somos todos brasileiros, por mais que tenham havido diferentes formas de povoamento, de formação cultural, existe, seja por culpa da internet, ou televisão ou sei lá o que mais, uma unidade cultural muito forte,que nos identifica como brasileiros.Infelizmente, ás vezes você precisa sair do Brasil pra perceber isso.
Para finalizar, voltemos ao tema Alemanha.Estou sim em um mar de diversidades, de constantes choques culturais, mas estou gostando de tudo isso, justamente porque foi isso que sempre me motivou a conhecer a Europa.Conhecer teoricamente te dá a ciência de que aquilo existe.Mas o aprendizado, e a profunda compreensão das coisas, passa necessariamente pela necessidade de vivenciá-las para que assim possa percebê-la e conhecê-la em suas nuances,e não apenas em uma noção geral.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

München,minha nova cidade!

Vou tentar usar desse espaço para escrever algumas notas sobre esse período que tenho passado por aqui.Acho que é uma forma prática de passar informações a meus amigos e familiares que por questão de tempo e disponibilidade de internet, reduzi bastante minha comunicação.Tentarei escrever relatos de experiências,novidades, difenças culturais,dificuldades, enfim, tudo relacionado ao fato de viver em um local muuito diferente do que vivia até então.Espero poder, ainda sim,escrever informações do interesse de todos os leitores desse blog, sejam eles conhecidos ou não.
Não demora muito e estarei postando o primeiro texto.
Até lá!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Que lindo dia, não acha?

Um dia,você olha o pôr-do-sol e simplesmente não sente nada.



Às vezes, ao nascer o dia,olhamos pela janela e,mesmo com o dia mais bonito do mundo diante dos nossos olhos,não sentimos nada além da incômoda luz do sol que ofusca nossa visão.
Às vezes,esses dias são inevitáveis:a rotina, os trabalhos, as obrigações, te fecham em um mundo funcional e objetivo e te impedem de ver de forma subjetiva e sensitiva o mundo ao redor.

Então , a evolução na coordenada temporal transforma o "as vezes" em "frequentemente" ,e posteriormente, este se se torna "sempre".


Olhamos, analisamos como está o tempo, como vai ser nossa rotina, as nossas atividades,e simplesmente esquecemos de sentir o ambiente que nos cerca de tudo aquilo que não é, a primeira vista,útil a nossas vidas.Ainda estamos com nossos 5 sentidos em perfeito funcionamento,mas ao perdermos a captação sensitiva que permite nos emocionarmos com cada detalhe do mundo ao nosso redor,nada mais consegue ter o mesmo "sabor" de antes.
Pois eis que a sociedade moderna é o exemplo maior de tudo que até agora escrevi.
Deixamos o mundo cinzento do trabalho, obrigações e rotinas tomassem conta, nos aprisionasse internamente.Fomos seduzidos pelos sonhos e ideiais pré-fabricados do nosso mundo e esquecemos que temos nossos próprios ideias,nossos próprios sonhos.Abraçamos a sociedade moderna,cuja sustentação ideológica é te dar possibilidade de grandes conquistas materiais individuais e,em troca disso, massificamos,socializamos,banalizamos nossa alma.
E eis que estamos no mundo perfeito, que tanto progresso gerou à humanidade, mas que roubou a nossa essência humana de sentir o mundo abstratamente , de aliar o coração aos outros aparelhos sensitivos do corpo.
E como podemos voltar a ser realmente humanos?
Acredito que seja uma resposta pessoal, mas quem sabe, ao abrir a janela de seu quarto e respirar profundamente o exterior ao seu redor, você possa voltar a dizer as palavras tão esquecidas internamente que te vaziam se sentir vivo?
"Que dia lindo!"