domingo, 25 de maio de 2008

Chave-Fechadura

Muitos de nós,passam anos procurando pelos caminhos que devemos seguir..caminhos profissionais,éticos,sentimentais,etc...Acreditamos em modelos prontos que nos levarão à felicidade, e muitas vezes, compramos esses modelos que são vendidos pela sociedade.Algumas pessoas ficam por toda eternidade dos seus 70,80,90 anos insatisfeitos por não conseguirem.Mas muitas vezes vale se perguntar:existem "pacotes" de felicidade, ou cada um tem sua felicidade própria?Talvez a maioria das pessoas me responda a segunda opção,entretanto, na prática, a maioria age no primeiro caso.Morremos procurando por uma coisa que não se encaixa em nós, sofremos tentando encaixar a chave na fechadura errada, então, quando finalmente a chave entra, tentamos abrir a porta;você tenta, tenta, e a única coisa que ganha é aborrecimento."Mas não é possível, a chave entrou na fechadura, então ela tem que abrir" pensamos, mesmo sabendo, no fundo, que quase todas as chaves podem entrar em quase qualquer fechadura.Mas queremos acreditar que essa é a chave.Então, insistimos,forçamos, batemos na porta,esmurramos a porta.Como não queremos arrombá-la,voltamos aos meios "cordiais " de abrir uma porta;forçamos a rotação da chave à exaustão, até que, em um dado momento, as peças internas se desencaixam, a fechadura quebra, e ao tirar a chave de lá, vê-se que ela também sobre danos quase irreparáveis, tal que, naquele estado, inutiliza a chave até para uma fechadura que se encaixava perfeitamente na sua forma.
E aí eu posso questioná-los:até quando fugiremos do que somos essencialmente para seguir os modelos pré-estabelecidos da sociedade?Até quando aceitaremos que a cultura social nos dite o que comer,em que trabalhar, como pensar, com que tipo de mulher ou homem devemos namorar?Até quando suprimiremos nossos sonhos, por acharmos idealistas d+" ou "fora da realidade" para assumirmos os sonhos "realistas, sensatos coerentes e plausíveis" dos outros?Até quando deixaremos que os valores sociais se sobreponham aos nossos valores pessoais e nos façam sentir cada dia mais inútil e morto internamente? Até quando desistiremos dos nossos sonhos, aqueles mesmos que nos incentivavam e nos ludibriavam até o início da adolescência, por acharmos que somos incapazes de atingi-los, e aceitarmos a mediocridade de uma vida que "todos podem ter"? Até quando aceitaremos que as chaves se deformem e as fechaduras se desmontem, mesmo sentido que, a chave que abrirá aquela PORTA é exatamente a chave que está dentro de nosso bolso?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Era uma vez.. (continuação)

Mas ele não podia deixar que isso acontecesse... E todos os sonhos? Como poderia ele deixá-los morrer assim?Não! não podia deixar que tudo continuasse assim...A vida continuava, e ele era forte o suficiente pra saber que não seria covarde o suficiente para reduzir seu tempo natural de vida, mas também sabia que não suportaria viver daquela forma...Foi aí que ele lembrou de todos os sonhos que já tivera, de todas as idéias que o fizeram buscar novos desafios, vencer dificuldades, mesmo quando tudo parecia conspirar contra.Não importava mais se QUASE tudo deu errado, algumas coisas deram certo e nisso ele tentou entender porquê deram certo.
Lembrou dos fracassos, mas dessa vez, não mais com sentimento de tristeza, e sim com um olhar analítico e crítico,buscando endender as reais causas dos fracassos e como faria para superá-las.Foi então que ele voltou a sentir,ao lembrar dos sonhos que já teve, aquela mesma empolgação da época que acreditava ser possível sonhos se realizarem.Nisso, ele lembrou de uma frase.talvez criada por ele mesmo que dizia:"sonhos nunca morrem, eles adormecem,hibernam, mas estarão sempre prontos para acordar nos primeiros sinais de reanimo" e isso o fez perceber que era verdade, pois agora sentia exatamente isso.
E foi ai que ele voltou a sonhar,voltou a seguir em frente, novamente com passos firmes e convictos.Ele saberia das imensas dificuldades que teria, como sempre, mas como sempre ele sentia dentro de si, como um uma sentimento de pre-destinação, que um dia, tudo mudará, e o garoto sonhador se tornará O HOMEM realizador.

domingo, 4 de maio de 2008

Era uma vez...

Um pequeno garoto , cujo nome é irrelevante mencionar,de 4 anos de idade.Garoto um pouco estranho, muito sonhador.Seus pais, sua mãe principalmente, o achavam muito inteligente:tinha certa facilidade pra números, conversava assuntos mais avançados pra idade , era muito curioso.Na escola, era mais um;não se destacava diante dos colegas e era uma figura a mais na classe.Via todos brigarem com ele, baterem, e simplesmente não reagia.Ele entristecia, chorava, e ficava nisso....
Ano seguinte, as coisas mudaram: ele brigava com todos, por motivos mínimos ou inexistentes, apenas pra poder ocupar o tempo, descarregar energia, ou ,talvez, descontar o que faziam no ano anterior.Uma hora, não haviam mais motivos, não havia mais nada a justificar aquele comportamento.Mesmo assim, sem saber porquê, ele continuava.
Quanto a isso.. o passar do tempo o fez abandonar esse comportamento,e o fez descarregar sua energia em outras coisas...E foi nos esportes..Ele experimentou as várias modalidades esportivas,e gostava muito de todas que fez.Infelizmente, um problema o impossibilitava jogar ao mesmo nível das outras crianças, e por mais que ele se esforçasse,não tinha como ele alcançar um desempenho bom.Mas o garoto ainda era sonhador, e mesmo sabendo das imensas dificuldades que tinha, sonhava em um dia poder jogar bem, e quem sabe até competir em alto nível.Nos treinos, se esforçava; nos jogos , ia confiante e determinado, mas no decorrer da partida, se desanimava diante das dificuldades e a nítida depreciação que via dos companheiros de time, ou dos concorrentes.O jogo acabava, tudo ia mal:ele voltava pra casa, chorava, se sentia o pior de todos..mas depois enxugava as lágrimas , voltava a acreditar, e tudo ficava por isso mesmo.
Ele continuava,ainda sonhava, até que uma hora ele simplesmente parou de acreditar. Continuava jogando, mas era como se estivesse fora;não mais lutava, não se esforçava porque sabia o resultado final:derrota, sempre.
E o tempo passou... quanto aos esportes,ele continuou a jogar por algum tempo, mas com a mesma apatia de antes. Não havia mais motivos pra acreditar em algo com poucas perspectivas de bons resultados.. e isso o fez a pensar em outros caminhos.
Ele percebeu que talvez realmente pudesse ser inteligente, como diziam alguns, e, ao menos na escola , tinha bons resultados com esforço mínimo.E foi ai que ele começou a voltar a sonhar.. como era um garoto curioso,foi sempre natural pra ele procurar área acadêmica e buscar informações ou cursos de vários assuntos do seu interesse...Com o tempo, surgiram oportunidades de competições de nível acadêmico,e aí ele pensou que poderia ser A CHANCE.Passou a participar de todas que podia..e apesar de alguns bons resultados, sempre ia mal nas competições de maior importância.Sempre tinham motivos, muitos motivos, que o levavam a perder sempre.. ele os conhecia bem,todos eles, mas não sabia como fazer para enfrentá-los..Aos poucos os fracassos vieram , como sempre.. e como sempre, ele se entristecia, chorava, enxugava as lágrimas, dizia que da próxima vez seria,e seguia em frente.Então ele continuava tentando, e continuava perdendo , até que, como nos esportes, ele desistiu de acreditar, e mesmo continuando ele não via mais um pingo de esperança de vitória.
E assim continuou.Continuava com todas atividades de antes, como se nada disso tivesse acontecido, e mesmo que do início mostrasse a mesma empolgação de quando era criança, a primeira dificuldade que aparecia o fazia lembrar de todo o sofrimento que já sofrera, desanimando-no completamente.. porque no fundo, ele sabia que era impossível se esquecer de tudo que tinha passado.
Ele chegou a desenhar, chegou a tentar compor música, tocar alguns instrumentos.. tentou escrever , contos, poemas, crônicas,dramas...tentou todos os caminhos . e por mais que no início tudo aparentemente corresse bem.. os mesmos motivos os desestimulavam, os mesmos motivos o faziam iniciar algo com o sentimento de que no fim, tudo daria errado, de novo.
Isso passou a acompanhar ele, e se desenvolveu acompanhando seu crescimento cronológico.Era um problema especifico que se tornou geral.. aquilo não mais o incomodava e sim atormentava profundamente sua alma.Isso afetava gravemente sua auto-estima, que naturalmente afetava em tudo que ele fazia, pois o sentimento de inferioridade e derrota estava já enraizado.Não tinha dúvidas, se deixasse como estava, AQUILO O ENGOLIRIA.